Importância das Catacumbas para a fé Cristã :
Após uma visita virtual ou real às Catacumbas cristãs de Roma, perguntar-se: qual é a importância das Catacumbas cristãs de Roma sob o aspecto histórico e arqueológico, e qual a sua importância religiosa e espiritual?A primeira e mais imediata impressão é que as Catacumbas são a prova histórica de que a Igreja das origens foi uma Igreja de mártires. Estes foram muitíssimos, e as Catacumbas conservaram o seu testemunho. Propomo-nos aprofundar, neste “caminho”, a questão do número dos mártires romanos, do significado do martírio, das causas das perseguições e do seu desenvolvimento.Não se sabe o numero exato dos mártires
Os historiadores pensam que foram, aproximadamente, alguns milhares; as Atas dos Mártires, que são os protocolos judiciários dos processos aos cristãos, conservaram-nos a lembrança de muitos mártires, mas não podemos tirar delas a sua lista completa. Segundo Tácito, na grande perseguição desencadeada por Nero, eles foram uma «ingens multitudo». Clemente de Roma fala de «uma grande multidão de eleitos». O martirológio de Jeronimo enumera bem 979. Cipriano, em seguida, escreverá que «o povo dos mártires foi incalculável» («martyrum innumerabilis populus»).
Será, porém, nas Catacumbas, que encontraremos o testemunho dos mártires, mais do que nos escritores cristãos do tempo, Catacumbas às quais estava ligado o culto dos mártires.
Acenemos brevemente aos mártires mais conhecidos das Catacumbas romanas abertas ao público. Só nas Catacumbas de Calisto foram sepultados bem 46 mártires, conhecidos pelo nome.
Entre eles os bispos mártires:
Zeferino, Ponciano, Fabiano, Sisto II, Eusébio, Cornélio; os quatro diáconos do bispo Sisto II, Cecília, Sótere, Marcos e Marceliano, Calógero e Partênio, Cereal e Salústio, Tarcísio, etc.
Em Domitila os mártires:
Nereu e Aquiles; em San Sebastiano, o próprio titular da Catacumba e Máximo; em Priscila, os mártires Feliz e Filipe, Marcelino bispo, Crescencião, Prisca, Paulo, Mauro, Simétrio e seus muitos companheiros; em Agnese, a adolescente mártir, que dá nome à Catacumba, e Emerenciana.
Outras Catacumbas, situadas ao longo das vias consulares, conservam a lembrança de numerosos mártires.
Aos mártires conhecidos pelo nome e venerados na Igreja dos primeiros séculos, devemos acrescentar um número certamente muito maior dos desconhecidos, que foram sepultados nas Catacumbas.
Eles são modelos para os cristãos de qualquer lugar e de qualquer época. São as testemunhas de uma fé invencível, de uma fidelidade total a Cristo confirmada com a oferta da própria vida.
A importância e o valor ecumênico do martírio na Igreja das origens, como também na Igreja do nosso tempo, deve ser ressaltada, «A Igreja do primeiro milênio nasceu do sangue dos mártires: “Sanguis martyrum semen christianorum” (Tertuliano).
Os acontecimentos históricos ligados à figura de Constantino o Grande jamais teriam garantido o desenvolvimento da Igreja, verificado no primeiro milênio, se não houvesse a semeadura de mártires e o patrimônio de santidade que caracterizaram as primeiras gerações cristãs.
É um testemunho que não deve ser esquecido. A Igreja dos primeiros séculos, embora com notáveis dificuldades organizativas, preocupou-se em fixar em martirológios especiais o testemunho dos mártires. Esses martirológios foram atualizados constantemente ao longo dos séculos, freqüentemente ignorados, como “soldados desconhecidos” da grande causa de Cristã, É preciso que as Igrejas façam de tudo para não deixar perecer a memória de quantos padeceram o martírio, Isso poderá ter também um grande respiro e eloquência ecumênica.
O ecumenismo dos santos, dos mártires, talvez, seja o mais convincente». As perseguições e suas causas.
Desde sua origem, o cristianismo difundiu-se rapidamente em todo o império romano, exercendo um fascínio irresistível em todas as classes sociais.
Ele propunha, com efeito, um estilo de vida novo, fundado na liberdade e no amor: estilo que se diferencia radicalmente daquele da sociedade e da religião romanas.
Desde sua origem, o cristianismo difundiu-se rapidamente em todo o império romano, exercendo um fascínio irresistível em todas as classes sociais.
Ele propunha, com efeito, um estilo de vida novo, fundado na liberdade e no amor: estilo que se diferencia radicalmente daquele da sociedade e da religião romanas.
Quantas foram as perseguições e quanto tempo duraram?
A primeira grande perseguição durou quatro anos, desde o incêndio de Roma de 19 de julho de 64 até 9 de junho de 68, morte de Nero.
Seguiu-se um período de mais ou menos três anos de completa tranqüilidade.
Domiciano (81-96), que tinha acentuado o culto do imperador, desencadeou uma breve perseguição nos últimos dois anos.Seguiu-se um período de mais ou menos três anos de completa tranqüilidade.
No segundo século estourou uma nova perseguição sob Trajano (98-117), devido à proibição de criar sociedades que não fossem autorizadas (as “hetérias”).
A quarta grande perseguição aconteceu no tempo de Marco Aurélio (161-180), quando o império foi afligido por carestias e pestilências e ameaçado pelos bárbaros.
Os cristãos foram acusados de todas essas calamidades. Iniciando o terceiro século, sob Setímio Severo (193-211) deram-se outros fenômenos de perseguição desencadeados pelo furor popular contra os cristãos, declarados inimigos públicos e acusados de lesa majestade.
Não parece, contudo, que o imperador tenha publicado qualquer edito de perseguição.
Uma perseguição de natureza mais política e pessoal que religiosa foi ordenada por Maximino Trace (235-238), que se enfureceu contra os que apoiavam o seu predecessor Alexandre Severo, entre os quais muitos cristãos,.
Em 244 assumiu o poder imperial o cristão M. Júlio Filipe (244-249), que nos cinco anos de reinado se opôs decididamente aos ambientes mais intransigentes do paganismo e ao fanatismo das multidões.
Foi, por isso, odiado e desprezado por eles como traidor da religião e da tradição pagãs. Seu adversário Décio (249-251) praticou uma política de restauração da antiga religião nacional romana. Com um edito de 249-50 ordenou que todos os súditos do império oferecessem publicamente um sacrifício propiciatório (uma “supplicatio”) aos deuses da pátria.
Uma das primeiras vítimas foi o bispo Fabiano. A perseguição foi breve, mas muito intensa e geral. O sucessor de Décio, Treboniano Galo (251-253), por ocasião de uma nova grave peste que devastou todo o império, ordenou sacrifícios expiatórios (holocausto), dos quais os cristãos não podiam participar, desencadeando, como reação, o ódio e o furor do povo.
Foi imposto o fechamento dos edifícios sacros, o confisco dos cemitérios (edito de 257), a pena de morte para os chefes religiosos (bispos, e diáconos); a perda da dignidade e o confisco dos bens para todos os demais cristãos (edito de 258).
A perseguição cessou substancialmente no ano seguinte, com a captura do imperador na guerra persa (259), mas foi retomada de forma violenta e generalizada por Diocleciano e Galério nos inícios do século IV com os editos de 303 e 304. Estes impunham a destruição das igrejas, a entrega dos livros sacros e a ordem a todos os cristãos de sacrificar aos deuses, sob pena de condenação à morte.
As Catacumbas fazem-nos reviver a vida da primitiva Roma cristã.
É verdade que as Catacumbas são apenas cemitérios, mas falam-nos com o testemunho histórico de um patrimônio riquíssimo de pinturas, esculturas, inscrições que ilustram os usos, os costumes, a vida dos antigos cristãos, a sua cultura, a sua fé. De fato, toda comunidade que vive, exprime-se e traduz a própria vida necessariamente em documentos escritos ou visuais.
Os cemitérios, em muitas civilizações, são lugares onde “objetiva-se” a interpretação da vida e da morte.
Assim, por exemplo, a maior parte do que conhecemos da cultura egípcia provém dos túmulos.
É verdade que as Catacumbas são apenas cemitérios, mas falam-nos com o testemunho histórico de um patrimônio riquíssimo de pinturas, esculturas, inscrições que ilustram os usos, os costumes, a vida dos antigos cristãos, a sua cultura, a sua fé. De fato, toda comunidade que vive, exprime-se e traduz a própria vida necessariamente em documentos escritos ou visuais.
Os cemitérios, em muitas civilizações, são lugares onde “objetiva-se” a interpretação da vida e da morte.
Assim, por exemplo, a maior parte do que conhecemos da cultura egípcia provém dos túmulos.
A visita aos túmulos dos Apóstolos e às Catacumbas, memorial dos mártires, é um retorno às raízes, às fontes antigas da fé e da vida da Igreja dos primeiros séculos.
«o berço do cristianismo e o arquivo da Igreja das origens».
Evidencia-se, na espiritualidade das Catacumbas” a fé da Igreja primitiva, sobretudo na centralidade de Cristo.
A espiritualidade das Catacumbas é cristocêntrica, sacramental, social, escatológica, bíblica, nova e transformadora. Ela não é só uma documentação da fé da Igreja primitiva, mas um estímulo forte a renovar pessoalmente a fé e o testemunho na vida pessoal.
Os peregrinos, que visitam todos os dias as Catacumbas, percebem o seu aspecto apologético e vêem a visita como uma verdadeira experiência espiritual.
São sobretudo os jovens que descobrem o valor religioso das Catacumbas.
Milhões de visitantes de todas as partes do mundo, ao longo dos séculos, fizeram uma peregrinação às Catacumbas cristãs de Roma, e pereceberam o humilde esplendor do primitivo testemunho cristão, acolhidos pelos mártires da Igreja e pelos inúmeros cristãos que testemunharam a própria fé na vida de todos os dias.
Os peregrinos vindos de todas as regiões do império: do Oriente, bispos ilustres como Inácio de Antioquia, Policarpo de Esmirna, Abércio de Gerápoles, e simples fiéis, porque todos – segundo João Crisóstomo – «olham para Roma com seus dois luminares Pedro e Paulo, cujos raios clareiam o mundo». As Catacumbas são ao longo dos séculos meta significativa de tantos peregrinos.
Não há, com efeito, lugar mais apto do que este para reafirmar e testemunhar a própria fé.
Mural de Fotos:
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